13 de janeiro de 2011

Mudando os parâmetros

Bom, algumas semanas atrás eu falei assim para uma pessoa: “Às vezes a gente se preocupa demais se é ou não é fulano de tal, nos esforçando pra que nossa vontade prevaleça. Esquecemos que Deus vai nos dar exatamente aquilo que precisamos e não vai se esquecer do que queremos. Muitas vezes só precisamos mudar nosso padrão de pensamento, mudar nossos parâmetros. E quando permitimos que Deus troque os nossos parâmetros pelos Dele, não é feito à força. Mas pelo convencimento do Espírito que torna a mudança natural, a ponto de nem percebemos que os “chips de parâmetros” foram trocados.”
Claro, no meio de uma conversa não fluiu tão bonito assim, mas foi exatamente isso que quis dizer!

Na realidade, Deus não estava querendo falar para a pessoa. Quando eu pensei nisso e falei pra ela, era só para que meus ouvidos absorvessem também. Aham, Deus e suas pegadinhas!
E aí fiquei remoendo isso, me achando toda espiritual, a maior profeta entregando palavras de conhecimento e Deus gritou: “Heeeeiii, é com você viu mocinha”. Ops...
Aí esperei Deus me ministrar primeiro para depois escrever aqui.

Comecei a pensar que muitas vezes colocamos cabrestos nos olhos. Idealizamos nosso futuro, traçamos planos e metas, sublinhamos as rotas com canetas fluorescentes... e não levantamos a cabeça para ver Deus com um lápis querendo participar também e fazer possíveis mudanças no roteiro.
Temos a opção de ignorá-lo, claro. Nossos planos e projetos são perfeitos, mas se nós mesmas nos desconhecemos e nem sabemos que roupa colocar, bagunçamos o guarda-roupa inteiro pra no fim terminar com a primeira peça que escolhemos, como podemos saber o que é melhor para o nosso futuro? Como saber criar um roteiro adequado?

Precisamos entregar nossos anseios para Deus, por mais que Ele já saiba de cor e salteado. Ele vai olhar e até deve achar interessante algumas coisas.
A Bíblia diz que Ele irá satisfazer os desejos do meu coração, então isso significa que Ele tem prazer em me agradar.  Senão estaria escrito outra coisa, tipo: Alegre-se na presença de Deus e Ele vai te dar outras idéias.
Então temos um fato aqui: Ele vaaaai satisfazer os nossos desejos.
Mas o que é difícil pra nós é entender os meios pelos quais Ele vai conseguir isso. A gente até tenta ser legal e deixa Ele dar uma olhada no mapa que traçamos, mas no momento em que ele aponta o lápis indicando outro ponto, logo tiramos o papel da mão Dele e dizemos: “Não, não, assim eu não gosto, melhor essa outra opção mesmo”.
Consigo ver Ele levantando a sobrancelha impaciente, batendo o lápis na palma da mão.

Sabe aquela cena que a criança quer porque quer amarrar o tênis, e a mãe fica na frente fingindo fazer outra coisa, mas só esperando ela pedir ajuda? Nosso relacionamento com Deus é bem assim. Ficamos horas, dias, meses e anos tentando seguir o caminho que traçamos e Ele lá, só de esguelha... quando a gente começa a ficar impaciente lembramos de pedir ajuda!

Será que precisamos chegar a esse ponto?
Será que não é mais fácil entregar logo os seus anseios e dizer: “Sei que o Senhor irá satisfazer o desejo do meu coração, mas não importa os meios, me mostra sua rota”?
Vai dar um desespero básico, mas temos que perder a mania de querer controlar tudo. As coisas não vão acontecer do nosso jeito. E outra, as surpresas são sempre mais interessantes do que quando já sabemos de tudo.

Talvez você e eu estejamos solteiras por causa disso. É isso, a culpa pode ser nossa, e não dos meninos que parecem ter medo de nós.
Idealizamos o cara perfeito (lembrando que o que é perfeito pra você pode não ser pra mim), com toda sua pompa vindo até nós, surgindo no meio da multidão, e no exato momento em que olha pra ele você começa a sentir uma arritmia cardíaca acompanhada de uma leve subida em direção as nuvens.... Ei, talvez o cara perfeito não te faça sentir nada disso num primeiro momento, mas vai fazer você se sentir assim o resto da vida!
Abra os olhos, junto comigo (1, 2, 3 e já). Esqueça suas rotas, seus mapas, use os de Deus. É meio confuso no começo, mas se você continuar seguindo Ele vai te mostrar que se tivesse seguido os seus próprios planos e direções, além de demorar séculos pra chegar, seus olhos jamais teriam o prazer de contemplar, seus ouvidos jamais teriam absorvido e sua mente jamais teria imagino o que Ele guardou pra você.



28 de dezembro de 2010

Mendigando...


Você já sentiu dificuldade em se sentir especial e amada? Ou amado, não sei rs...
Você já pensou que talvez você não fosse merecedora de ter alguém?

Eu passei por isso recentemente.
Tive uma dificuldade absurda de me sentir amada. E digo ser amada por Deus também. Não conseguia sentir o amor Dele em lugar nenhum.
Não sei se isso já aconteceu com você, mas comigo foi terrível me sentir assim.
Acordava sem motivo, fazia as coisas no automático. Não tinha expectativas, e abandonei sonhos e desejos.
E tudo isso em poucas semanas, indo pra igreja, cantando, orando ... mas sem sentir o amor.

Nesses dias você não tem vontade de se arrumar ou de se vestir. Coloca qualquer coisa e esta bom. Olha pra sua cara no espelho e fala um monte de coisas negativas a seu respeito.
Não estou querendo escrever um texto de auto-ajuda, estou só falando pelo que passei.

Mas sabe o que eu descobri? É que quando nos sentimos desse jeito é porque nós mesmas não nos amamos. Nós mesmas nos sentimos incapazes de nos amar.
Por três semanas Deus tentou me mostrar isso.

Na primeira semana eu acordei me sentindo zuada. Péssima, tudo estava feio.
Na mesma semana muitas pessoas - e não era uma quantidade normal, mas todas as pessoas que eu encontrava me elogiavam.
Ok, passou, olhei para o céu e disse: “Bom, deve ser só essa semana.”

No final dessa semana, partindo pra segunda, eu já comecei achar que eu não era o suficiente pra ninguém.
Quando alguém era bonito demais, eu me achava abaixo da média de beleza. Se a pessoa era feia, eu achava que ela era legal demais pra mim.
Achava que outras pessoas eram sempre melhores do que eu. Que tinha mais direitos do que eu poderia ter.

Na terceira eu larguei tudo, disse: que se dane, Deus não deve ter nada pra mim mesmo! Porque se tivesse, se Ele pelo menos me amasse eu não estaria passando por essa palhaçada.
Rs falei assim mesmo. Deus sabe que sou beeeem sincera às vezes.
Briguei com Ele, falei várias, me arrependi terrivelmente depois.
Pedi pra minha líder orar por mim, porque se ela não fizesse isso eu acho que viria um raio na minha cabeça porque Deus devia estar muito bravo comigo.

Chorei muito, afff, molhei todo o ombro dela, borrei a maquiagem, maior papelão.
Sem dizer nada do que tinha dito pra Deus, sabe o que ela me disse?
Durante a oração ela disse assim: Que Deus me amava muito, que o amor Dele continuava o mesmo por mim e outras coisas que não lembro. Veio tão do trono as palavras que ela disse, que eu sabia que não poderiam ter sido ditas da boca pra fora.
Pra quê se menosprezar, pra quê dar menos valor pra você, se Alguém que poderia te ignorar a qualquer momento ainda continua te amando, mesmo quando você fala coisas sem sentido?

Existe um amor tão incrivelmente abundante e imensurável por mim, que eu deveria acordar todos os dias, respirar bem fundo e me sentir a criatura mais amada do universo. E isso é verdade.
Quando pensamos que uma pessoa é bonita demais pra nós, ou ela é muito legal, estilosa demais, talentosa e outras coisas que parecem ser mais do que merecemos, temos que reavaliar quem somos na verdade.


Eu sou uma mendiga espiritual ou uma mulher cheia de virtudes?
Poxa, eu sou maior legal!! Tenho tantas qualidades. Busco as qualidade de uma mulher de Deus todos os dias, até nos dias ruins eu tento ser o melhor que posso. Então porque não posso ser o presente de Deus pra alguém?
Porque sempre me coloco em posição de receber uma migalha por misericórdia: “ah, pode ser qualquer coisinha, Deus. Se ficar sozinha tudo bem, talvez ninguém mereça a reles mortal que sou”.
Ah para com isso. Olha pra você, olha pro seu valor, olha o quanto você pode oferecer e acrescentar na vida de alguém!!!
Essa insegurança não é de Deus não.

Quando eu começo com essa palhaçada de me desvalorizar eu dou uma risadinha, faço uma pausa e começo a pensar nas minhas qualidades. E vejo que elas são bem melhores do que esses pensamentos ridículos. Você sabe quais são as suas.
Começo a pensar como isso pode acrescentar na vida de alguém, como pode incrementar e complementar o chamado da outra pessoa.
Ninguém é perfeito, senão tudo seria um porre. Se você é falha em uma área, existe alguém melhor pra supri-la.
Se Adão fosse auto-suficiente, porque Deus faria a Eva então?

Não fique na posição de mendiga esperando a misericórdia de Deus, a esmolinha.
Você vai ganhar o maior presente do céu e ainda vai ser o maior presente de Deus pra alguém.


(Quero agradecer a Paty Modolo, publicamente, por ter me ajudado com a revisão dos últimos dois posts! Patyzinha, Valeu de coração!!!!)

5 de dezembro de 2010

Passando pelo Medo

Parte da minha vida...

A gente nunca sabe com quem se relaciona, de verdade, como a pessoa realmente é.

Um tempo atrás, há muitos anos, fui fazer uma entrevista em uma casa noturna “gospel”. Lembro que a pessoa que abriu a porta e nos recebeu (havia outra candidata) ficou um tempo conosco até o dono do lugar chegar. Estava com uma cara de acabado, mas foi simpático - contou até um pouco da sua vida, dizendo que era de outro país, e falava um português um pouco carregado.

Fiz a entrevista, conheci o lugar, o trabalho não era difícil. A casa não vendia bebidas alcoólicas, e era um lugar bem legal para a galera crente que não tem muitas opções na madrugada pra curtir.
Passei na entrevista e comecei a trabalhar meio período.
Chegava, o dono me passava um serviço inútil e ia embora.

Bom, esse cara que me recebeu no dia da entrevista morava no lugar. Era um quarto dividido com outro menino que trabalhava fora.
Dormia o dia inteiro praticamente, tinha o horário invertido, e aparecia no meio da tarde. Conversávamos rapidamente e eu continuava no trabalho.

As conversas foram sendo prolongadas, afinal de contas só estávamos os dois no lugar e eu não tinha muita coisa pra fazer.
(Incrível, eu não lembro como foi que tudo começou. Estou tentando me esforçar pra lembrar, mas é só um buraco negro.)
Enfim, começamos a nos relacionar. No final do meu dia de trabalho eu ficava mais tempo com ele, saíamos pra comer, conversávamos, eu praticava meu inglês.
Lembro que o celular dele tocava um bipe de hora em hora. Era irritante.

Tudo isso - que parece ter durado meses - foram apenas uns 20 dias.

Um dia ele me ligou num sábado de manhã, com uma conversa super estranha. Falando que iriam pegá-lo, que tinha gente atrás dele, um monte de coisas sem sentido. Falei que iria me encontrar com ele, e depois precisava passar em um lugar e pedi que fosse comigo.
Lembro nesse dia que a atitude dele era de desconfiança, super sério, olhando para todos os lados....esquisito.
Nunca vi, nunca percebi, nunca notei nada que indicasse uso de drogas.

A vida continuou.

Um dia, trabalhando no escritório, ele subiu para falar comigo, como sempre fazia.
Cumprimentos secos.
De repente ele começou com uma conversa sem sentido novamente. Questionando coisas que eu estava fazendo que pra mim não fazia sentido nenhum. Eu tentava me justificar em pé, na frente dele.
Então ele começou a ficar um pouco mais agressivo e irritado.
Me segurava forte pelo braço, me encostava na mesa e falava coisas sem sentido.
Comecei a ficar com medo.

Num certo momento ele saiu.
Voltou nervoso, fechou a porta do escritório, e até ia trancar. Eu pedi que não fizesse isso.
Me sentou no sofá à força, e ficava do meu lado me encarando.
Tentava me levantar, ele empurrava.

Quando fiquei em pé, desejando sair daquele lugar sem janela, sem saída (só uma porta fechada, e um lunático falando coisas sem sentido), encostei na mesa e comecei a sentir que ele não conseguiria quebrar a minha cara como desejava.
Ele no máximo conseguiria me empurrar. Ficava muito perto de mim, mas sentia que ele não podia invadir uma limitação invisível.
Sentia que ia morrer, que ele queria me quebrar inteira tamanha era a raiva que saía dele. Sentia medo, muito medo, vontade de chorar, tentava ficar calma. Olhava pra ele sem entender nada, e sentia que ele não podia me alcançar, e ele ficava transtornado com isso, tentando me agredir, me matar com o olhar.

Então ele falou que eu podia ir embora.
Desliguei as coisas muito rápido. E fui em direção à porta.
Fiquei com medo porque tinha que descer uma escada, e temi que ele me jogasse dela. Mas ele não fez nada.

Desci as escadas tremendo, chorando, com medo. Nunca me senti tão apavorada na vida.
Fui embora e liguei para uma amiga, aos prantos.

O medo permaneceu.
Ficava assustada o tempo todo. Saía na rua me sentindo perseguida.
Acordava toda madrugada com o som do despertador do celular dele. Aquele bipe irritante tocava no meio da madrugada, no meu quarto, dentro da minha cabeça.
Engordei muito. Ficava deitada no sofá sem motivação nenhuma.
Tenho só alguns flashes dessa parte. Não me lembro como contei pra minha família - se é que contei...

Hoje eu entendo que a limitação que impediu que ele me matasse (eu sabia que isso ia acontecer, essa certeza de que ele queria me matar ninguém tira da minha cabeça) foi divina. Não pude ver, mas sabia que algo muito maior estava ali, entre ele e eu.
Eu choro só de lembrar desse momento, e de saber que Deus se importou e cuidou de mim naquele momento.

Deus me livrou da morte.
Quantas pessoas se arriscam todos os dias, saindo com desconhecidos, dormindo com estranhos, colocando essas pessoas dentro das suas casas, fazendo parte de suas vidas.
Quantas não são as vezes que Deus manda seus anjos para nos guardar? Para te guardar?
Daí a importância de você se guardar, esperar em Deus, poder conhecer a pessoa, serem amigos ... e assim ser livrada do engano.

Eu sou a preciosa Dele, você é a preciosidade de Deus.  E mesmo no meio da sua loucura, dos seus erros, Ele estende a mão pra te salvar, porque Ele te ama.
Ele me ama.
Obrigada por esse amor Jesus, que é tão imerecido.
Obrigada pelo Teu cuidado.


29 de novembro de 2010

Maratona


Essa semana eu fiquei bastante revoltada, confesso!
Tipo, não fiquei chateada, mas fiquei muito, mas muito mesmo, irritada. Irritadíssima. Brava. De saco cheio. Querendo vomitar.
Queria, e ainda quero, desistir. Parar com essa corrida maluca.
Comecei a ver esse estado de solteira como uma grande maratona e suas fases.

Em uma maratona sempre larga um monte de gente.
Há um caminho cercado com grades, e espectadores do lado de fora.
Foi dada a largada.

Você começa no seu ritmo, curtindo. Às vezes um pouco mais rápido que os demais, ou nem muito lento e nem muito rápido. Pode aparecer algumas companheiras no começo, mas em breve cada uma tomará seu ritmo de corrida.
Agora estou correndo sozinha.

Ao meu redor existem o seguranças em suas motos. Se algo acontecer, eles poderão me ajudar.
Estou correndo já algum tempo. Ainda consigo ver as pessoas atrás das grades, e corredores na minha frente, se afastando. Prefiro não olhar pra trás.

O caminho ainda está plano, e fica fácil a corrida.
Sempre tem aquela água pra hidratar e dar alguns momentos de alívio.
Você corre, olhando pra frente, em alguns momentos pra baixo, prestando atenção no ritmo do corpo e da corrida. Começa a pensar que esta se afastando rápido da largada, e esta empolgada para alcançar o final. Pode ser que seja um pouco chato e monótono o começo, mas após uma curva vem a descida.

Na descida é a fase mais deliciosa. Sente o vento passando mais rápido, aumenta o ritmo e se sente super condicionada. Acha que é a melhor fase. Corre, toma água e ultrapassa algumas pessoas. Se sente animada com a disposição, com a liberdade de correr sozinha, os seguranças ainda estão presentes, mas talvez você nem se lembre deles, porque sua condição física esta ótima.

Depois de algumas curvas, mistura de retas e descidas. O desgaste começa a aparecer, mas o fôlego e a força de vontade ainda estão ok!
Passaram-se alguns minutos, horas, dias ou até anos nessa variação.
Na próxima volta vem uma parte difícil. A subida íngreme.
Sua corrida desacelera.

Olhando ao seu redor nota-se algumas coisas.
Você está correndo sozinha. Já não se vê mais corredores à frente, talvez alguns já terminaram a corrida e você ficou pra trás. Outros desistiram, e tem outros que ainda estão passando pelas fases anteriores.
Seus pensamentos querem te fazer desistir, e se aliam as suas energias quase esgotadas.
O ritmo diminui mais um pouco.

Começa a perceber que a vida das pessoas do outro lado das grades continua. Ainda torcem por você durante a corrida, dão seu apoio.
Essas pessoas estão se casando, festejando o término da corrida. Algumas estão conhecendo os outros corredores. Outras estão comemorando o crescimento da família. Se alegra com elas.
Olha pra frente e vê que sua corrida ainda não mostra a cara do fim. Seu ritmo diminui cada vez mais.

Sua vontade é de desistir. E você tem essa escolha. Ninguém vai te impedir, nem mesmo aqueles que te guardam durante a corrida. Talvez até te animem a continuar, mas não te impedirão se quiser desistir.
A vontade de perder toda uma corrida e viver uma vida paralela é bem tentadora. Você pode escolher desistir e os seguranças irão se afastar mostrando a saída.
Você começa a diminuir o passo da corrida quase a uma caminhada, avaliando as possibilidades. E essa é a fase onde a maioria desiste. A água que te dão já não é mais suficiente pra matar a sede. Já não há mais força, já não há mais energia.
Que se dane a corrida. Não vai valer a pena permanecer nela. Já nem sei por quanto tempo mais ela irá durar.

Os meus passos estão cada vez mais lentos. Há dois caminhos para percorrer. Nada me impede de escolher qualquer um deles e segui-los.
Só é preciso fazer uma escolha. Seguir em frente, ou desistir.

Você ouve uma voz dizendo que a subida faz parte do fim, mas por quanto tempo a corrida vai durar? Quanto tempo falta pro fim? Meus olhos não conseguem ver a faixa de chegada.
Todo meu preparo físico já não vale mais nada. Cansaço é a palavra que não para de passar pela sua mente. Todo preparo mental está indo por água abaixo...

Continuo correndo, por enquanto. Pensando se vale a pena desistir...


22 de novembro de 2010

Quem te comanda!?


Tava indo dormir, e decidi escrever.
Depois de conversar com uma pessoa super querida no MSN, ouvir suas lutas, seus esforços, suas tentações, avaliei a mim mesma.
Onde busco refúgio, preenchimento, satisfação?

Quando me sentia sozinha costumava fazer compras. Comprava, comprava, pros outros, pra mim, comprava, até acabar o limite do cartão.
Tem gente que quando se sente sozinha se produz e se vende. Se vende, se vende, se leiloa, se aluga, pros outros, pra desconhecidos, até acabar no quarto escuro, com o travesseiro encharcado.
Ainda existem aquelas que escolhem ficar felizes com quantidades de álcool no sangue, se embriagam, dançam, riem, se divertem e sem dúvida nenhuma se divertem. Diversão passageira, preferem se transferir para outros planos, outras realidades, viver a vida de outras pessoas e esquecer daquele momento que a solidão bateu na porta e pareceu que nunca mais ia embora.
No dia seguinte, com as compras, com a cama vazia e o rímel borrado, com a dor de cabeça e a ressaca descobrem que nenhum esforço valeu a pena, a solidão ainda esta na porta.
Aquela outra pessoa que estava dentro de você te deixou um bagaço e prometeu voltar pra repetir a dose.

Eu fui curada! Não compro mais desenfreadamente.
E você, qual se ponto de equilíbrio momentâneo? Vale a pena permanecer nele?
Todos os dias vestir a personalidade de uma pessoa que não é você! Todos os dias ter que pensar no que fazer pra preencher a falta, temporariamente, e se deixar esfarelar nas mãos das serpentes que dançam para te comandar!!!?

Não vista seu melhor sorriso e encare o mundo, saiba pedir ajuda!!!

“Life's real, When Angels & Serpents Dance.
Who's leading? Leading you?
Everything you say, everything that you do!
Believe in what is true.
One must lead in the dance, Who's leading you!” (P.O.D)

17 de novembro de 2010

Pensamentos Noturnos

Na semana passada, nas vésperas do fim de semana prolongado eu estava pensando: “Poxa, vou ficar sábado e domingo em casa, e só na segunda tem um churrasco pra ir”.
Aí na sexta, umas 4 da tarde uma amiga me liga perguntando se eu tava com a mala pronta, porque iríamos viajar no mesmo dia. Como assim minha filha!!!?
Fiquei meio desnorteada, pensando se iria mesmo, se cancelaria o churrasco e pensei em algumas coisas: “Bom, se eu viajar hoje vou aproveitar 3 dias junto com as meninas da banda de mulheres da igreja que freqüento, e se eu for no churrasco na segunda não vou ter nada pra fazer no fim de semana, além de ter que ir pro churrasco com casais”. Apesar de ter a oportunidade de conhecer pessoas novas no churrasco, decidi viajar com minha amiga.
Foi a melhor decisão que tomei! De longe, a melhor decisão.

Fiz uma correria louca pra em 3horas conseguir chegar em casa, arrumar a mala e chegar no local onde me pegariam.
Hoje ouvi um breve sermão, mas confesso que não estou arrependida de não ter ido ao churrasco. Teria me arrependido se não tivesse ido viajar.
Pude aprofundar amizade com pessoas muito especiais. Dei muuuuita risada. Me diverti demais, dançamos, cantamos, fizemos palhaçadas e de oito meninas que estavam lá, apenas uma era casada e só lembrava disso porque o marido dela estava filmando tudo, o que me preocupa bastante rsrs.

Bom, todos os dias à noite eu deitava na cama, e quando não dormia quase que instantaneamente de cansaço, ficava pensando nas atividades do dia, nas fotos tiradas, nas piadas, nas palhaçadas e pude me fazer uma pergunta: “Como eu posso considerar que a noite é o pior momento pra uma solteira?”
Ouvi isso uma vez, que a noite era o pior horário porque você deita e fica pensando em tudo o que esta faltando na sua vida....

Se a gente souber aproveitar a fase que temos não teríamos a noite como o pior momento.
Em nenhum dos dias consegui me lamentar, ou consegui sentir falta de algo que ainda não tenho. Fui muito grata por aquilo que Deus estava me dando naquele momento. Grata pela oportunidade que Ele me deu de me abrir, de criar vínculos e ter apoio com quem passa pelas mesmas coisas que eu!

Se fazemos as escolhas certas para o nosso dia, como poderemos nos lamentar ainda no final da noite!?
Não só nesse final de semana que passou, mas quero completar cada dia desta fase me satisfazendo com aquilo que Deus tem me proporcionado. Fazendo um curso, indo no cinema, ouvindo uma música, vendo uma exposição, gastando comigo... é tão bom!

Quando eu procuro completar meu dia com coisas importantes e que me satisfaçam, prestando atenção nos detalhes que esse Deus maravilhoso me proporciona, eu não tenho como ter pensamentos ruins antes de dormir!
Antes que eles cheguem eu invado minha mente com todas as coisas boas que posso viver no momento. Assim meus pensamentos noturnos me farão esperar cada vez mais pela próxima aventura, pela próxima viagem, pela próxima descoberta, pela próxima risada, e não pelos dias que ainda ficarei solteira “sozinha”, me lamentando. Esses pensamentos eu não quero mais.
Por hoje eu dou esse passo! Um de cada vez, sem me precipitar, quando eu menos esperar, a fase já terá mudado e eu não me arrependerei do tempo que perdi me lamentando!

11 de novembro de 2010

Beleza Exterior

A vaidade teve várias fases na minha vida.
No final do ensino fundamental e começo do 1º ano do médio eu costumava fazer as unhas todos os dias. Isso mesmo t-o-d-o-s os dias. E no 1º ano eu fazia um penteado diferente pra ir estudar. Um dia preso, outro com trança, outro com dread de gel, outro com baby liss...e variações possíveis.
Talvez nessa idade seja normal. Com 12/13/14 e 15 anos acordamos um dia, nos olhamos no espelho e descobrimos: “Wooooow, eu sou mulher!! Tenho muitos artifícios ao meu favor!” E tentamos valorizá-los.

Quando mudei de escola eu estudava em período integral, e não gostava de uniforme. Mas a vaidade já não tava tão forte. Então descobri o skate, e só andava com o cabelo preso, com as calcinhas aparecendo rs, e todo o estilo já conhecido, mas na época um pouco pior, acho que muito pior é mais apropriado, não tinha muitas opções bonitas, e pra quem vivia caindo na rua não dava pra sair de roupa nova também. Apesar de tudo eu achava que tava legal, e já tinha um namorado na época que não dizia nada contra.

Aí eu conheci duas pessoas. Elas eram beeeem vaidosas. Maquiagem, unha, salto e etc. E fui me adaptando aos poucos a tudo isso.

Cada uma tem seu tipo de vaidade. Às vezes você combina sapato com bolsa, ou só faz escova no cabelo, mas cada uma tem seu limite.
Hoje eu faço a unha todo final de semana, escova sempre, e todos os dias de manhã passo um corretivo bem fail, blush que quase não aparece, rímel e não saio sem brinco e anel. Me sinto linda!
Comecei a fazer a unha todo final de semana, depois que pegaram na minha mão e minha unha estava terrível. Poxa vida meu filho, não tinha dia melhor?
E depois que ouvi, que uma menina conheceu o futuro marido na fila do banheiro, eu pensei que poderia encontrar o meu em qualquer lugar também, então por mais desleixada que eu ainda seja, eu tento sempre estar um pouco melhor. Nos finais de semana tento ser mais menina, dispensando um pouco tênis, mas ainda usando sapatos baixos.

Bom, se beleza exterior não fosse algo importante, a rainha Ester não teria ficado um ano inteiro no “SPA Real” se preparando. Vou dar um resumo pra quem não conhece a história:
Depois que a rainha Vasti ignorou um pedido de se apresentar ao Rei, ela foi posta pra fora do seu posto, e foi aberto um concurso de beleza para uma nova rainha.
Ester já era bonita e foi apresentada na triagem para o concurso. Foi aprovada e logo entregaram para ela 7 concubinas e mais alguns enfeites.
As mulheres que foram pré-selecionadas ficaram 12 meses, isso mesmo 1 anooo, se perfumando, se enfeitando e tudo mais, para depois serem apresentadas para o Rei.

Se ficar bonita fosse fácil, ela não teria 7 pessoas para ajudá-la, e logo me imagino no salão com cabeleireiro, manicure, designer de sobrancelha, massagista e o ofurô me esperando todos os dias, com o único objetivo de me apresentar para alguém. Desperto do sonho e olho pra mim mesma e vejo que nem na triagem eu teria passado!
Mas vamos lá, não estamos naquele tempo. Não sei que tipo de beleza era aprovado.
Mas hoje os padrões que são cobrados são covardes. Saio do metrô e vejo um banner de uma menina com a bunda pequena, e sem nenhuma gordura saindo da cintura. Olho na TV e vejo cabelos brilhantes, sedosos e super resistentes. Folheio a revista e só vejo barrigas secas, braço forte, e pernas sem celulites. Que que isso gente!? Onde me escondo?

Cada uma é diferente. Sua beleza é diferente da outra. Seu cabelo é diferente, sua pele, seu peso, seu rosto.
Todos os dias olho pra mim mesma e tento ver o que posso valorizar, o que posso amenizar, mas sem perder a minha identidade, sem ignorar aquilo que não consigo mudar, seja por saúde, por genética, por qualquer coisa. Eu não sou uma super mulher da mídia, eu sou uma super mulher normal!!!!
Se eu não gosto de sombra, eu só uso rímel. Se eu não gosto de salto, eu uso melissa. Se eu estou barriguda, paro de comer no McDonalds 2 vezes na semana, rsrs.
Valorize-se.
Há uma diferença entre se cuidar e ser neurótica.
Podemos fazer a unha, arrumar o cabelo, nos maquiar, mas respeitando nossos limites, e não os impostos pela mídia. Aposto que os homens não gostariam de mulheres padrões. É por isso que para cada um tem a metade da laranja perfeita. Tem aqueles que gostam das gordinhas, das malhadas, das mais ou menos. Aqueles que gostam das peruas, da patis, e das diferentes. Eles gostam de mulheres que se cuidam sim, mas que se sintam bem consigo mesma.

Eu me esforço em fazer meu melhor, mas me sentindo bem.
Talvez possa fazer um pouco mais, me exercitar, não comer tanta besteira, e arriscar algumas coisas no vestuário.
Mas o mais importante é ser feliz. Não adianta estar “perfeita” por fora e triste por dentro, sabe porque: o coração alegre embeleza o rosto.
E se o coração estiver alegre, não vai precisar nem de muito esforço.
Os cuidados aliado a alegria, é o mais importante.