7 de junho de 2011

Som do Beija-Flor


E lá passou ela, passos rápidos, ritmados pelo som de seus fones de ouvido. Sua mente a 150 batidas por minuto. Andava olhando sempre pra frente, os olhos só capturavam os possíveis desvios, obstáculos ou o cumprimento de um conhecido.
Mal sabia ela que ele estava lá também.
Os olhos dele registravam cada movimento, assim como tentamos deixar a aparição do beija flor em câmera lenta, pra absorver cada milésimo de segundo da incrível visão. Assim era a aparição dela pra ele. Toda vez que passava, era um frenesi de asas dentro do seu estômago.
Ela continuava em frente, mal sabia que alguém a observava.

Ele não era um idiota. A aparição dela o deixou assim nos dois primeiros dias. Na primeira vez foi como se tivesse experimentado o melhor doce do mundo. A sensação que chegou até ele, foi que nunca tinha sentido algo igual.
Na segunda, ele tentou capturá-la no olhar, mas pensou em tomar uma ação.

Isso se tornou um desafio pra ele. Já não importavam mais as outras pessoas. Seu objetivo era ter um minuto de conversa com ela. De alguma forma ela fazia com que ele se sentisse diferente. Algo nela dava a sensação de que se ele a tivesse, não precisaria de mais nada além disso.

Um dia ela foi até a lanchonete, e na esperança de conhecê-la ele inventou fome de pão de queijo. Ficou na fila, pegou a ficha e parou ao seu lado no balcão.
Ela, como sempre, absorta na sua música e alheia ao resto do mundo. Olhou para ele só por instinto, sorriu, mas era por estar feliz por dentro, e não por ele estar do lado dela.
Ele comentou algo um pouco mais baixo, e ela pensou que fosse com a balconista e nem prestou atenção.
Pegou seu café da manhã e saiu em direção ao seu objetivo.

Assim foram os dias, ele a observava e buscava alternativas.

Certo dia lá veio ela. Mas dessa vez sem sua música.
Até seus passos estavam mais lentos.
Foi até a lanchonete, fez seu pedido, e parou no balcão. Ouvia a conversa das pessoas, o barulho dos pratos, e até o comentário dele para a balconista. Deu risada junto com ela, e ele se assustou. Já estava acostumado a seguir sua rotina, só para aproveitar os segundos da presença do beija-flor.
Ela respondeu ao comentário, pegou seu café e os dois saíram juntos da lanchonete.

Agora ele sente fome de pão de queijo todos os dias, e ela já não leva mais o fone de ouvido!


6 de junho de 2011

Nova Temporada!

Olha só.
Esse texto ai embaixo foi o último de uma temporada em que eu só falava de mim.... acabou mesmo!

Agora que venha a próxima temporada. Com textos diferentes, reais ou não, poéticos ou não, não importa. Não quero fechar o blog, e não sei onde publicar as outras coisas que escrevo rsrsrsrs......

=)

2 de junho de 2011

Talvez o Último...

Tudo começou com palavras!
Falada e escrita, assim como nesse blog.
Nunca achei que soubesse escrever, ou que tivesse algo para dizer. Isso tudo foi só uma tentativa de organizar meus pensamentos publicamente.
Fui me conhecendo e aprendendo conforme as letras tomaram o seu lugar.
Isso é um fato.

Terminou no silêncio!
Assim como nas noites em que fechei meus olhos, no quarto escuro e só conseguia pegar no sono por conta do cansaço excessivo.
Se não, passaria noites inteiras questionando, repassando fatos, tentando corrigir os pontos em que errei, e reafirmando aquilo que mesmo sendo contraditório ao mundo assumi no peito uma posição.

Escrevo o que vivo, e talvez por isso demore tanto para atualizar este espaço.
Vivo intensamente. Quando me permito entro pela porta da oportunidade, e me agarro na disposição de enfrentar os dedos apontados e alguns olhares de desaprovação.
Viver é absorver e responder, nem sempre verdadeira e espontaneamente, aos estímulos alheios. Às vezes respondemos como a razão pede. E quem foi que disse que ela sempre esta certa!?
Muitas vezes o que você escreve é com a intenção de externar e registrar na parede de algum lugar, pendurado e bem visível, aquilo que nem você acredita.
Tornar visível é pra reforçar uma idéia que você precisa acreditar.

O comodismo me incomoda!
Talvez este seja o problema geral. O medo de enfrentar, de experimentar, de sofrer e até de ser feliz com algo novo é desafiador demais... voltamos ao comodismo. Quando resolvi assumir riscos e sair do lugar cômodo, vi que era a única disposta.

Talvez este seja o último post.
Desse assunto, complexo demais, já não quero e nem tenho mais vontade de escrever.
Cansei!
Talvez quando voltar, seja depois disso tudo já ter acabado.

Obrigada pela companhia até aqui!