28 de dezembro de 2010

Mendigando...


Você já sentiu dificuldade em se sentir especial e amada? Ou amado, não sei rs...
Você já pensou que talvez você não fosse merecedora de ter alguém?

Eu passei por isso recentemente.
Tive uma dificuldade absurda de me sentir amada. E digo ser amada por Deus também. Não conseguia sentir o amor Dele em lugar nenhum.
Não sei se isso já aconteceu com você, mas comigo foi terrível me sentir assim.
Acordava sem motivo, fazia as coisas no automático. Não tinha expectativas, e abandonei sonhos e desejos.
E tudo isso em poucas semanas, indo pra igreja, cantando, orando ... mas sem sentir o amor.

Nesses dias você não tem vontade de se arrumar ou de se vestir. Coloca qualquer coisa e esta bom. Olha pra sua cara no espelho e fala um monte de coisas negativas a seu respeito.
Não estou querendo escrever um texto de auto-ajuda, estou só falando pelo que passei.

Mas sabe o que eu descobri? É que quando nos sentimos desse jeito é porque nós mesmas não nos amamos. Nós mesmas nos sentimos incapazes de nos amar.
Por três semanas Deus tentou me mostrar isso.

Na primeira semana eu acordei me sentindo zuada. Péssima, tudo estava feio.
Na mesma semana muitas pessoas - e não era uma quantidade normal, mas todas as pessoas que eu encontrava me elogiavam.
Ok, passou, olhei para o céu e disse: “Bom, deve ser só essa semana.”

No final dessa semana, partindo pra segunda, eu já comecei achar que eu não era o suficiente pra ninguém.
Quando alguém era bonito demais, eu me achava abaixo da média de beleza. Se a pessoa era feia, eu achava que ela era legal demais pra mim.
Achava que outras pessoas eram sempre melhores do que eu. Que tinha mais direitos do que eu poderia ter.

Na terceira eu larguei tudo, disse: que se dane, Deus não deve ter nada pra mim mesmo! Porque se tivesse, se Ele pelo menos me amasse eu não estaria passando por essa palhaçada.
Rs falei assim mesmo. Deus sabe que sou beeeem sincera às vezes.
Briguei com Ele, falei várias, me arrependi terrivelmente depois.
Pedi pra minha líder orar por mim, porque se ela não fizesse isso eu acho que viria um raio na minha cabeça porque Deus devia estar muito bravo comigo.

Chorei muito, afff, molhei todo o ombro dela, borrei a maquiagem, maior papelão.
Sem dizer nada do que tinha dito pra Deus, sabe o que ela me disse?
Durante a oração ela disse assim: Que Deus me amava muito, que o amor Dele continuava o mesmo por mim e outras coisas que não lembro. Veio tão do trono as palavras que ela disse, que eu sabia que não poderiam ter sido ditas da boca pra fora.
Pra quê se menosprezar, pra quê dar menos valor pra você, se Alguém que poderia te ignorar a qualquer momento ainda continua te amando, mesmo quando você fala coisas sem sentido?

Existe um amor tão incrivelmente abundante e imensurável por mim, que eu deveria acordar todos os dias, respirar bem fundo e me sentir a criatura mais amada do universo. E isso é verdade.
Quando pensamos que uma pessoa é bonita demais pra nós, ou ela é muito legal, estilosa demais, talentosa e outras coisas que parecem ser mais do que merecemos, temos que reavaliar quem somos na verdade.


Eu sou uma mendiga espiritual ou uma mulher cheia de virtudes?
Poxa, eu sou maior legal!! Tenho tantas qualidades. Busco as qualidade de uma mulher de Deus todos os dias, até nos dias ruins eu tento ser o melhor que posso. Então porque não posso ser o presente de Deus pra alguém?
Porque sempre me coloco em posição de receber uma migalha por misericórdia: “ah, pode ser qualquer coisinha, Deus. Se ficar sozinha tudo bem, talvez ninguém mereça a reles mortal que sou”.
Ah para com isso. Olha pra você, olha pro seu valor, olha o quanto você pode oferecer e acrescentar na vida de alguém!!!
Essa insegurança não é de Deus não.

Quando eu começo com essa palhaçada de me desvalorizar eu dou uma risadinha, faço uma pausa e começo a pensar nas minhas qualidades. E vejo que elas são bem melhores do que esses pensamentos ridículos. Você sabe quais são as suas.
Começo a pensar como isso pode acrescentar na vida de alguém, como pode incrementar e complementar o chamado da outra pessoa.
Ninguém é perfeito, senão tudo seria um porre. Se você é falha em uma área, existe alguém melhor pra supri-la.
Se Adão fosse auto-suficiente, porque Deus faria a Eva então?

Não fique na posição de mendiga esperando a misericórdia de Deus, a esmolinha.
Você vai ganhar o maior presente do céu e ainda vai ser o maior presente de Deus pra alguém.


(Quero agradecer a Paty Modolo, publicamente, por ter me ajudado com a revisão dos últimos dois posts! Patyzinha, Valeu de coração!!!!)

5 de dezembro de 2010

Passando pelo Medo

Parte da minha vida...

A gente nunca sabe com quem se relaciona, de verdade, como a pessoa realmente é.

Um tempo atrás, há muitos anos, fui fazer uma entrevista em uma casa noturna “gospel”. Lembro que a pessoa que abriu a porta e nos recebeu (havia outra candidata) ficou um tempo conosco até o dono do lugar chegar. Estava com uma cara de acabado, mas foi simpático - contou até um pouco da sua vida, dizendo que era de outro país, e falava um português um pouco carregado.

Fiz a entrevista, conheci o lugar, o trabalho não era difícil. A casa não vendia bebidas alcoólicas, e era um lugar bem legal para a galera crente que não tem muitas opções na madrugada pra curtir.
Passei na entrevista e comecei a trabalhar meio período.
Chegava, o dono me passava um serviço inútil e ia embora.

Bom, esse cara que me recebeu no dia da entrevista morava no lugar. Era um quarto dividido com outro menino que trabalhava fora.
Dormia o dia inteiro praticamente, tinha o horário invertido, e aparecia no meio da tarde. Conversávamos rapidamente e eu continuava no trabalho.

As conversas foram sendo prolongadas, afinal de contas só estávamos os dois no lugar e eu não tinha muita coisa pra fazer.
(Incrível, eu não lembro como foi que tudo começou. Estou tentando me esforçar pra lembrar, mas é só um buraco negro.)
Enfim, começamos a nos relacionar. No final do meu dia de trabalho eu ficava mais tempo com ele, saíamos pra comer, conversávamos, eu praticava meu inglês.
Lembro que o celular dele tocava um bipe de hora em hora. Era irritante.

Tudo isso - que parece ter durado meses - foram apenas uns 20 dias.

Um dia ele me ligou num sábado de manhã, com uma conversa super estranha. Falando que iriam pegá-lo, que tinha gente atrás dele, um monte de coisas sem sentido. Falei que iria me encontrar com ele, e depois precisava passar em um lugar e pedi que fosse comigo.
Lembro nesse dia que a atitude dele era de desconfiança, super sério, olhando para todos os lados....esquisito.
Nunca vi, nunca percebi, nunca notei nada que indicasse uso de drogas.

A vida continuou.

Um dia, trabalhando no escritório, ele subiu para falar comigo, como sempre fazia.
Cumprimentos secos.
De repente ele começou com uma conversa sem sentido novamente. Questionando coisas que eu estava fazendo que pra mim não fazia sentido nenhum. Eu tentava me justificar em pé, na frente dele.
Então ele começou a ficar um pouco mais agressivo e irritado.
Me segurava forte pelo braço, me encostava na mesa e falava coisas sem sentido.
Comecei a ficar com medo.

Num certo momento ele saiu.
Voltou nervoso, fechou a porta do escritório, e até ia trancar. Eu pedi que não fizesse isso.
Me sentou no sofá à força, e ficava do meu lado me encarando.
Tentava me levantar, ele empurrava.

Quando fiquei em pé, desejando sair daquele lugar sem janela, sem saída (só uma porta fechada, e um lunático falando coisas sem sentido), encostei na mesa e comecei a sentir que ele não conseguiria quebrar a minha cara como desejava.
Ele no máximo conseguiria me empurrar. Ficava muito perto de mim, mas sentia que ele não podia invadir uma limitação invisível.
Sentia que ia morrer, que ele queria me quebrar inteira tamanha era a raiva que saía dele. Sentia medo, muito medo, vontade de chorar, tentava ficar calma. Olhava pra ele sem entender nada, e sentia que ele não podia me alcançar, e ele ficava transtornado com isso, tentando me agredir, me matar com o olhar.

Então ele falou que eu podia ir embora.
Desliguei as coisas muito rápido. E fui em direção à porta.
Fiquei com medo porque tinha que descer uma escada, e temi que ele me jogasse dela. Mas ele não fez nada.

Desci as escadas tremendo, chorando, com medo. Nunca me senti tão apavorada na vida.
Fui embora e liguei para uma amiga, aos prantos.

O medo permaneceu.
Ficava assustada o tempo todo. Saía na rua me sentindo perseguida.
Acordava toda madrugada com o som do despertador do celular dele. Aquele bipe irritante tocava no meio da madrugada, no meu quarto, dentro da minha cabeça.
Engordei muito. Ficava deitada no sofá sem motivação nenhuma.
Tenho só alguns flashes dessa parte. Não me lembro como contei pra minha família - se é que contei...

Hoje eu entendo que a limitação que impediu que ele me matasse (eu sabia que isso ia acontecer, essa certeza de que ele queria me matar ninguém tira da minha cabeça) foi divina. Não pude ver, mas sabia que algo muito maior estava ali, entre ele e eu.
Eu choro só de lembrar desse momento, e de saber que Deus se importou e cuidou de mim naquele momento.

Deus me livrou da morte.
Quantas pessoas se arriscam todos os dias, saindo com desconhecidos, dormindo com estranhos, colocando essas pessoas dentro das suas casas, fazendo parte de suas vidas.
Quantas não são as vezes que Deus manda seus anjos para nos guardar? Para te guardar?
Daí a importância de você se guardar, esperar em Deus, poder conhecer a pessoa, serem amigos ... e assim ser livrada do engano.

Eu sou a preciosa Dele, você é a preciosidade de Deus.  E mesmo no meio da sua loucura, dos seus erros, Ele estende a mão pra te salvar, porque Ele te ama.
Ele me ama.
Obrigada por esse amor Jesus, que é tão imerecido.
Obrigada pelo Teu cuidado.