8 de maio de 2011

Espelho, espelho meu...


Me olhei no espelho hoje.
Não como todos os dias eu olho. Dessa vez eu olhei bem. Bem mais profundo, bem mais perto. E fiquei ensandecida com o que vi!

Comprei maquiagem nova, uma base com pó e corretivo, tudo junto e misturado que é aplicada com uma esponjinha prática - sou vaidosa, mas não tenho tempo de passar cada um separadamente.
Usei descontroladamente. Ganhei uma alergia!
Minha pele encheu de bolinhas, por toda parte.
Limpei, tonifiquei, hidratei... E insisti em usar maquiagem de novo.
Óbvio que piorou, e começou a coçar, ficou ardendo... Drogas!

Nos últimos dias tenho me sentido muito velha. Tudo bem, fiz só 25 anos, e considero uma idade perfeita para algumas coisas. Acredito que toda mulher alcança um estado de graça nessa fase. Tudo o que dava pra melhorar, melhorou. Vejo as fotos, olho para minhas amigas e percebo como estão bonitas. Maaas, eu não sabia que com essa idade tantas coisas também mudariam. E que mudanças ruins estavam prestes a nos cercar e dizer verdades na nossa cara!

Sempre cuspi pro alto dizendo que era bonito envelhecer. Olhava os velhinhos e admirava o rosto marcado, a mão com a pele molinha e macia. Achava ridícula essas intervenções cirúrgicas... Caiu na testa!
Agora minha pele grita todos os dias, e mostra as novas linhas de expressão que ganhei. Se eu durmo de lado, com a bochecha amassada, acordo com uma marca perto do nariz. E ela só desaparece depois de horas.
Já não posso mais brincar de fazer careta,  porque o anjo assopra e marca tudo!
Meu corpo sofre mudanças diariamente. Se como um pastel, fico estragada o resto do dia! Meu metabolismo resolveu tirar férias e só trabalha se for estimulado, e coloca estimulado nisso. Pesava 48 quilos! Hoje tenho quase 55. Não agüento colocar uma calça e ver que as gorduras abdominais preferem a liberdade!
Olho os catálogos e já consulto os produtos anti-idade, anti-gorduras, e nunca acho os anti-neuroses...

E a vida vai seguindo desse jeito. Ela cresce, chega no auge e depois sofre adaptações. Uma bata para não marcar a barriga. Maquiagem pra esconder as horas mal dormidas.... ficamos sem comer para perder alguns gramas, mesmo se forem só imaginários. A consciência já fica mais leve!

Na minha ilusão, no meu mundo onde tudo acontece como eu quero e na hora que quero, estabeleci um limite pra mim: “Até os 28 tenho que casar”. Ou seja, se em alguns meses eu vou fazer 26, tenho só dois anos pra namorar, noivar e casar! Sendo assim, uma loucura completa!
Espero que a pessoa que casar comigo não considere apenas o exterior.
Isso não vai durar mesmo, e a tendência é só piorar. Conforme-se!
O que importa mesmo é o que tem dentro.  É no que quero acreditar!
Damos uma força pro exterior, mas ir contra a natureza é tolice.

E não venha me dizer que é experiência. São rugas mesmo!

17 de abril de 2011

Pratique o Amor


Um tempo atrás, quando trocava de namorado com bastante freqüência, eu nunca soube o que era namorar de verdade.
Sempre fui uma pessoa fria. Procurava meu próprio interesse. Se não era bom pra mim, pra que continuar?
Magoei pessoas, não me importei com seus sentimentos. E na realidade era tão do mal, que pouco me importava mesmo.
Não era carinhosa, e nem gostava muito de carinho. Acho que me frustrei muito e a falta de prática te leva a ficar cada vez mais duro e enferrujado.

Os anos se passaram, e junto com eles vieram o amadurecimento. Comecei a perceber que perdi tempo demais, e que a forma como agia não me fazia feliz.
Foi um processo meio lento para falar diferente, agir, pensar e me importar... Hoje ainda é um pouco, e constantemente tento ser uma pessoa melhor.

O processo começou quando eu também entendi o que era o amor. Mudei muito do meu comportamento quando conheci e encontrei o Amor.
Meu relacionamento com meus pais mudou muuuito. Eu não abraçava, beijava ou sequer dizia que os amava.
Hoje eles pedem um tempo pra mim, de tanto que fico abraçada quando posso. Rs, tento recuperar o tempo que enfrentei, peitei e fiquei distante. Não fui uma filha com temperamento muito fácil.

Aprendi a falar que “amo”. Sem me importar com fato ficar exposta e vulnerável.  Quero aproveitar cada chance de viver ao lado das pessoas e ter a certeza de que não perdi a oportunidade de dizer o que sinto.
Uma amiga me ensinou a fazer isso. Não conscientemente.
Anos atrás quando ouvi pela primeira vez que era amada fiquei bastante desconcertada, porque percebi que era sincero e que eu pouco me esforçava para merecê-lo.

Mudar essa atitude me fez e me faz bem a cada dia. Escolhi praticar o amor e o cuidado, e isso hoje tem se enraizado mais profundamente em mim.
Tudo isso é um exercício. No começo fica meio dolorido praticá-lo, porque você precisa tomar atitudes diferentes. Mas a prática leva a perfeição, e por mais que esteja bem longe de alcançá-la, esse é meu objetivo!


13 de março de 2011

Prazo de Validade

Uma das partes boas de ser solteira é ter a liberdade de ir e vir sem prestar contas para namorados chatos. 
E nesse tempo eu fiz muito isso. Sempre procuro sair com alguém, comer alguma coisa, bater papo, e isso não só com amigas, mas também com os amigos.

Depois que criei esse blog, o comportamento de quem está solteiro já não passa mais desapercebido por mim.
Descobri que ser solteira(o) tem prazo de validade

Quando a pessoa termina um relacionamento ela quer mais é sair, curtir, aproveitar esse momento em que você pode fazer tudo baseado na sua vontade única e exclusiva.
É o período mais legal de uma pessoa solteira. Ela conversa, fala sobre várias coisas, e é super feliz. E no começo é muito bom!
Isso é estendido até um ano e pouco. Um ano e meio no máximo.

As pessoas que estão entre 1 ano e meio até 2 anos solteiras, entram naquela margem que o fabricante deixa para garantir a validade do produto.  Sabe? Mesmo quando passou da validade, algum tempinho depois ainda da pra consumir?
Nesse período é a melhor fase para voltar a namorar.


Passaram dois anos, pode jogar fora.
Agora explico porque!

1 – As pessoas começam a ficar muuuuito chatas e anti-sociais. Elas se acostumaram com essa vida de que suas vontades são soberanas. Saem com pessoas do mesmo sexo sempre, e pessoas do mesmo sexo acabam se entendendo melhor.
Limitam seu círculo de amizades, quando não passam a ser caseiras.
Começam a entrar num processo de carência muito chato, começam a chorar achando que vão ficar sozinhas.

2 – Perdem a prática de se relacionar.
Por que alguns homens que acabam de chegar na igreja, por exemplo, se “arrumam” mais rápido? Porque eles ainda lembram como fazer.
As pessoas que estão muitos anos solteiras não sabem como agir quando estão interessadas em alguém.
Os meninos não lembram mais como produzir um elogio, uma gentileza, esquecem como faz pra conseguir puxar papo com uma menina, esquecem de produzir algumas coisas que eles sabem que as meninas adoram, e que eles faziam isso antes.

As meninas acham que, já que estão solteiras há um tempo, merecem algo muito bom e perfeito.
Posso dizer uma coisa? Pessoas perfeitas são previsíveis, pelo simples fato delas serem perfeitas. E pessoas previsíveis tiram a adrenalina da vida.
As meninas nunca acham que fulano de tal é o suficiente. Se tornam pessoas críticas, chatas e até a voz fica mais irritante, muda até o jeito de falar.

To generalizando mesmo, me incluindo no pacote. E visualizando isso me ajuda a não cometer os mesmo erros.

3 – E o item mais chato de todos: As conversas sempre têm a mesma pauta.
Meu Deus, como isso me irrita. As vezes até prefiro nem sair pra não ser desagradável. Outras eu entro na conversa pra não ficar quieta.
Por favor pessoal, vamos mudar o disco, tudo o que ouço é: “Esse ano vai” ,“Nossa, faz tanto tempo, quando será que vai chegar”, “Calma a hora vai chegar”, “Então, sabe aquele menino (a) ali...”, e outras variações sempre pensando no mesmo assunto!
Não agüento mais isso.
Vamos conversar sobre qualquer outra coisa. Sobre música, sobre as tendências de moda para 2012, sobre as metas do governo Dilma, ou sobre comida, mas por favor, vamos falar sobre outra coisa!!? Pode ser?
É só sentar com uma quantidade razoável de meninas que estão solteiras que a gente percebe que o assunto não muda.
Não to querendo ser chata, um dia ou outro é super legal falar disso, mas toda vez não dá.


Os produtos estragados estão contaminando outros.
Vamos lembrar de como agíamos. Claro, lembrar da parte boa.
Vamos ser flexíveis, mudar os assuntos, conhecer novas pessoas. Imagino como estamos perdendo oportunidades por aí por coisas bestas.
E repito, quando generalizo confesso que cometo as mesmas falhas, talvez nem todas elas, mas a maioria. Vai me dizer que você não se vê fazendo isso? Se não faz, então me ensina!
Quando aponto para o outro e falo que não sou assim, me engano e não caminho para um progresso!



3 de fevereiro de 2011

Tentando Entender

Homens e suas opções

Conheci algumas pessoas ao longo desses anos que estou solteira.
Algumas realmente não valeriam a pena, seria tempo perdido porque os objetivos eram diferentes. Alguns até valeria a pena, mas sabe quando não há aquela “química”? E tem sempre aqueles que você casaria em 6 meses rs, mas depois, em horas, descobre cada coisa que te desaponta...

Como passar por cada experiência e ainda se manter aberta e disposta?
Tenho escutado nos últimos dias testemunhos doloridos, sofridos, de gente que sofreu muito, que foi alimentada nas emoções, elogiada, acariciada, recebeu insinuações e tantas outras coisas e no fim acabou iludida, nada aconteceu.
E o que tem me intrigado é conseguir entender o que os homens realmente querem.

Conheço alguns que valeria tanto a pena, mas que eles mesmos parecem não saber onde querem chegar, o que querem da vida, ou quem querem pra vida. Ficam se enchendo de opções e perdem o foco.
Homens têm perdido o foco do que desejam, e os papéis têm se invertido.
Mulheres que esperam, sabem o que esperam. Quando aparece algo e o fulano não faz nada, elas que têm corrido atrás.
E não estou falando de uma pequena parcela de mulheres, estou falando de uma grande quantidade. Mulheres bonitas, inteligentes e que qualquer homem gostaria de passar o resto da vida ao lado, e que têm se transformado em “homens” da relação.

Vivo ouvindo dos rapazes que eles se garantem, que sabem o que querem, que estão orando, que estão esperando, mas na hora do vamos ver não agem!
Quando gostam e se interessam por alguém não correm atrás, não criam oportunidades, não fazem nada.
Quando tem contato com a menina ficam com graça e nunca chegam à uma conclusão, nunca tomam uma atitude coerente.

E aí pra quem sobra? Pra nós!
Nós que perguntamos como que fica a relação, se vai ser amizade ou namoro. Nós que acabamos com as brincadeiras, graças, olhares e pedimos pra definir o jogo. Nós - que sabemos o que esperar do futuro - é que temos que tomar essas atitudes.
Ok, não vejo de todo mal nisso, se fossem apenas alguns casos. O problema é que essas atitudes têm ser tornado uma constante.
Eu fiz isso a minha vida inteira, mas não estou a fim de fazer agora.
Temos esperado e agido, sendo que o certo seria esperar a ação.

Homens têm avaliado apenas o exterior. Até se interessam por algumas pessoas, mas acham que podem encontrar outra mais bonita; se esquecem de ver o que tem dentro também,  se esquecem que a carcaça não dura pra sempre, nem a dele.
Ninguém quer entrar em um relacionamento para dar errado, mas tem que existir tentativas. Não se pode orar com uma pessoa só se ela for a garota que você irá passar o resto da vida. Você pode orar e não dar certo, mas para dar certo você tem que pelo menos tentar, assumir o risco.

O que está acontecendo com os homens?
Porque tanta dúvida? Pra que tanta indecisão?


Entendam uma coisa homens: as mulheres são muito mais profundas. As suas insinuações que podem não significar nada para você, tem grandes chances de criar expectativas em uma mulher. Se você não tem interesse, intenção, ou não quer nada agora, não faça nada disso. Não aja dessa maneira.
As mulheres estão machucadas, se fechando em uma torre forte, e vai ser ruim pra você mesmo. Porque quando você achar A pessoa, vai ter mais trabalho, porque alguém brincou com os sentimentos dela antes.

Pronto, falei!!!

13 de janeiro de 2011

Mudando os parâmetros

Bom, algumas semanas atrás eu falei assim para uma pessoa: “Às vezes a gente se preocupa demais se é ou não é fulano de tal, nos esforçando pra que nossa vontade prevaleça. Esquecemos que Deus vai nos dar exatamente aquilo que precisamos e não vai se esquecer do que queremos. Muitas vezes só precisamos mudar nosso padrão de pensamento, mudar nossos parâmetros. E quando permitimos que Deus troque os nossos parâmetros pelos Dele, não é feito à força. Mas pelo convencimento do Espírito que torna a mudança natural, a ponto de nem percebemos que os “chips de parâmetros” foram trocados.”
Claro, no meio de uma conversa não fluiu tão bonito assim, mas foi exatamente isso que quis dizer!

Na realidade, Deus não estava querendo falar para a pessoa. Quando eu pensei nisso e falei pra ela, era só para que meus ouvidos absorvessem também. Aham, Deus e suas pegadinhas!
E aí fiquei remoendo isso, me achando toda espiritual, a maior profeta entregando palavras de conhecimento e Deus gritou: “Heeeeiii, é com você viu mocinha”. Ops...
Aí esperei Deus me ministrar primeiro para depois escrever aqui.

Comecei a pensar que muitas vezes colocamos cabrestos nos olhos. Idealizamos nosso futuro, traçamos planos e metas, sublinhamos as rotas com canetas fluorescentes... e não levantamos a cabeça para ver Deus com um lápis querendo participar também e fazer possíveis mudanças no roteiro.
Temos a opção de ignorá-lo, claro. Nossos planos e projetos são perfeitos, mas se nós mesmas nos desconhecemos e nem sabemos que roupa colocar, bagunçamos o guarda-roupa inteiro pra no fim terminar com a primeira peça que escolhemos, como podemos saber o que é melhor para o nosso futuro? Como saber criar um roteiro adequado?

Precisamos entregar nossos anseios para Deus, por mais que Ele já saiba de cor e salteado. Ele vai olhar e até deve achar interessante algumas coisas.
A Bíblia diz que Ele irá satisfazer os desejos do meu coração, então isso significa que Ele tem prazer em me agradar.  Senão estaria escrito outra coisa, tipo: Alegre-se na presença de Deus e Ele vai te dar outras idéias.
Então temos um fato aqui: Ele vaaaai satisfazer os nossos desejos.
Mas o que é difícil pra nós é entender os meios pelos quais Ele vai conseguir isso. A gente até tenta ser legal e deixa Ele dar uma olhada no mapa que traçamos, mas no momento em que ele aponta o lápis indicando outro ponto, logo tiramos o papel da mão Dele e dizemos: “Não, não, assim eu não gosto, melhor essa outra opção mesmo”.
Consigo ver Ele levantando a sobrancelha impaciente, batendo o lápis na palma da mão.

Sabe aquela cena que a criança quer porque quer amarrar o tênis, e a mãe fica na frente fingindo fazer outra coisa, mas só esperando ela pedir ajuda? Nosso relacionamento com Deus é bem assim. Ficamos horas, dias, meses e anos tentando seguir o caminho que traçamos e Ele lá, só de esguelha... quando a gente começa a ficar impaciente lembramos de pedir ajuda!

Será que precisamos chegar a esse ponto?
Será que não é mais fácil entregar logo os seus anseios e dizer: “Sei que o Senhor irá satisfazer o desejo do meu coração, mas não importa os meios, me mostra sua rota”?
Vai dar um desespero básico, mas temos que perder a mania de querer controlar tudo. As coisas não vão acontecer do nosso jeito. E outra, as surpresas são sempre mais interessantes do que quando já sabemos de tudo.

Talvez você e eu estejamos solteiras por causa disso. É isso, a culpa pode ser nossa, e não dos meninos que parecem ter medo de nós.
Idealizamos o cara perfeito (lembrando que o que é perfeito pra você pode não ser pra mim), com toda sua pompa vindo até nós, surgindo no meio da multidão, e no exato momento em que olha pra ele você começa a sentir uma arritmia cardíaca acompanhada de uma leve subida em direção as nuvens.... Ei, talvez o cara perfeito não te faça sentir nada disso num primeiro momento, mas vai fazer você se sentir assim o resto da vida!
Abra os olhos, junto comigo (1, 2, 3 e já). Esqueça suas rotas, seus mapas, use os de Deus. É meio confuso no começo, mas se você continuar seguindo Ele vai te mostrar que se tivesse seguido os seus próprios planos e direções, além de demorar séculos pra chegar, seus olhos jamais teriam o prazer de contemplar, seus ouvidos jamais teriam absorvido e sua mente jamais teria imagino o que Ele guardou pra você.



28 de dezembro de 2010

Mendigando...


Você já sentiu dificuldade em se sentir especial e amada? Ou amado, não sei rs...
Você já pensou que talvez você não fosse merecedora de ter alguém?

Eu passei por isso recentemente.
Tive uma dificuldade absurda de me sentir amada. E digo ser amada por Deus também. Não conseguia sentir o amor Dele em lugar nenhum.
Não sei se isso já aconteceu com você, mas comigo foi terrível me sentir assim.
Acordava sem motivo, fazia as coisas no automático. Não tinha expectativas, e abandonei sonhos e desejos.
E tudo isso em poucas semanas, indo pra igreja, cantando, orando ... mas sem sentir o amor.

Nesses dias você não tem vontade de se arrumar ou de se vestir. Coloca qualquer coisa e esta bom. Olha pra sua cara no espelho e fala um monte de coisas negativas a seu respeito.
Não estou querendo escrever um texto de auto-ajuda, estou só falando pelo que passei.

Mas sabe o que eu descobri? É que quando nos sentimos desse jeito é porque nós mesmas não nos amamos. Nós mesmas nos sentimos incapazes de nos amar.
Por três semanas Deus tentou me mostrar isso.

Na primeira semana eu acordei me sentindo zuada. Péssima, tudo estava feio.
Na mesma semana muitas pessoas - e não era uma quantidade normal, mas todas as pessoas que eu encontrava me elogiavam.
Ok, passou, olhei para o céu e disse: “Bom, deve ser só essa semana.”

No final dessa semana, partindo pra segunda, eu já comecei achar que eu não era o suficiente pra ninguém.
Quando alguém era bonito demais, eu me achava abaixo da média de beleza. Se a pessoa era feia, eu achava que ela era legal demais pra mim.
Achava que outras pessoas eram sempre melhores do que eu. Que tinha mais direitos do que eu poderia ter.

Na terceira eu larguei tudo, disse: que se dane, Deus não deve ter nada pra mim mesmo! Porque se tivesse, se Ele pelo menos me amasse eu não estaria passando por essa palhaçada.
Rs falei assim mesmo. Deus sabe que sou beeeem sincera às vezes.
Briguei com Ele, falei várias, me arrependi terrivelmente depois.
Pedi pra minha líder orar por mim, porque se ela não fizesse isso eu acho que viria um raio na minha cabeça porque Deus devia estar muito bravo comigo.

Chorei muito, afff, molhei todo o ombro dela, borrei a maquiagem, maior papelão.
Sem dizer nada do que tinha dito pra Deus, sabe o que ela me disse?
Durante a oração ela disse assim: Que Deus me amava muito, que o amor Dele continuava o mesmo por mim e outras coisas que não lembro. Veio tão do trono as palavras que ela disse, que eu sabia que não poderiam ter sido ditas da boca pra fora.
Pra quê se menosprezar, pra quê dar menos valor pra você, se Alguém que poderia te ignorar a qualquer momento ainda continua te amando, mesmo quando você fala coisas sem sentido?

Existe um amor tão incrivelmente abundante e imensurável por mim, que eu deveria acordar todos os dias, respirar bem fundo e me sentir a criatura mais amada do universo. E isso é verdade.
Quando pensamos que uma pessoa é bonita demais pra nós, ou ela é muito legal, estilosa demais, talentosa e outras coisas que parecem ser mais do que merecemos, temos que reavaliar quem somos na verdade.


Eu sou uma mendiga espiritual ou uma mulher cheia de virtudes?
Poxa, eu sou maior legal!! Tenho tantas qualidades. Busco as qualidade de uma mulher de Deus todos os dias, até nos dias ruins eu tento ser o melhor que posso. Então porque não posso ser o presente de Deus pra alguém?
Porque sempre me coloco em posição de receber uma migalha por misericórdia: “ah, pode ser qualquer coisinha, Deus. Se ficar sozinha tudo bem, talvez ninguém mereça a reles mortal que sou”.
Ah para com isso. Olha pra você, olha pro seu valor, olha o quanto você pode oferecer e acrescentar na vida de alguém!!!
Essa insegurança não é de Deus não.

Quando eu começo com essa palhaçada de me desvalorizar eu dou uma risadinha, faço uma pausa e começo a pensar nas minhas qualidades. E vejo que elas são bem melhores do que esses pensamentos ridículos. Você sabe quais são as suas.
Começo a pensar como isso pode acrescentar na vida de alguém, como pode incrementar e complementar o chamado da outra pessoa.
Ninguém é perfeito, senão tudo seria um porre. Se você é falha em uma área, existe alguém melhor pra supri-la.
Se Adão fosse auto-suficiente, porque Deus faria a Eva então?

Não fique na posição de mendiga esperando a misericórdia de Deus, a esmolinha.
Você vai ganhar o maior presente do céu e ainda vai ser o maior presente de Deus pra alguém.


(Quero agradecer a Paty Modolo, publicamente, por ter me ajudado com a revisão dos últimos dois posts! Patyzinha, Valeu de coração!!!!)

5 de dezembro de 2010

Passando pelo Medo

Parte da minha vida...

A gente nunca sabe com quem se relaciona, de verdade, como a pessoa realmente é.

Um tempo atrás, há muitos anos, fui fazer uma entrevista em uma casa noturna “gospel”. Lembro que a pessoa que abriu a porta e nos recebeu (havia outra candidata) ficou um tempo conosco até o dono do lugar chegar. Estava com uma cara de acabado, mas foi simpático - contou até um pouco da sua vida, dizendo que era de outro país, e falava um português um pouco carregado.

Fiz a entrevista, conheci o lugar, o trabalho não era difícil. A casa não vendia bebidas alcoólicas, e era um lugar bem legal para a galera crente que não tem muitas opções na madrugada pra curtir.
Passei na entrevista e comecei a trabalhar meio período.
Chegava, o dono me passava um serviço inútil e ia embora.

Bom, esse cara que me recebeu no dia da entrevista morava no lugar. Era um quarto dividido com outro menino que trabalhava fora.
Dormia o dia inteiro praticamente, tinha o horário invertido, e aparecia no meio da tarde. Conversávamos rapidamente e eu continuava no trabalho.

As conversas foram sendo prolongadas, afinal de contas só estávamos os dois no lugar e eu não tinha muita coisa pra fazer.
(Incrível, eu não lembro como foi que tudo começou. Estou tentando me esforçar pra lembrar, mas é só um buraco negro.)
Enfim, começamos a nos relacionar. No final do meu dia de trabalho eu ficava mais tempo com ele, saíamos pra comer, conversávamos, eu praticava meu inglês.
Lembro que o celular dele tocava um bipe de hora em hora. Era irritante.

Tudo isso - que parece ter durado meses - foram apenas uns 20 dias.

Um dia ele me ligou num sábado de manhã, com uma conversa super estranha. Falando que iriam pegá-lo, que tinha gente atrás dele, um monte de coisas sem sentido. Falei que iria me encontrar com ele, e depois precisava passar em um lugar e pedi que fosse comigo.
Lembro nesse dia que a atitude dele era de desconfiança, super sério, olhando para todos os lados....esquisito.
Nunca vi, nunca percebi, nunca notei nada que indicasse uso de drogas.

A vida continuou.

Um dia, trabalhando no escritório, ele subiu para falar comigo, como sempre fazia.
Cumprimentos secos.
De repente ele começou com uma conversa sem sentido novamente. Questionando coisas que eu estava fazendo que pra mim não fazia sentido nenhum. Eu tentava me justificar em pé, na frente dele.
Então ele começou a ficar um pouco mais agressivo e irritado.
Me segurava forte pelo braço, me encostava na mesa e falava coisas sem sentido.
Comecei a ficar com medo.

Num certo momento ele saiu.
Voltou nervoso, fechou a porta do escritório, e até ia trancar. Eu pedi que não fizesse isso.
Me sentou no sofá à força, e ficava do meu lado me encarando.
Tentava me levantar, ele empurrava.

Quando fiquei em pé, desejando sair daquele lugar sem janela, sem saída (só uma porta fechada, e um lunático falando coisas sem sentido), encostei na mesa e comecei a sentir que ele não conseguiria quebrar a minha cara como desejava.
Ele no máximo conseguiria me empurrar. Ficava muito perto de mim, mas sentia que ele não podia invadir uma limitação invisível.
Sentia que ia morrer, que ele queria me quebrar inteira tamanha era a raiva que saía dele. Sentia medo, muito medo, vontade de chorar, tentava ficar calma. Olhava pra ele sem entender nada, e sentia que ele não podia me alcançar, e ele ficava transtornado com isso, tentando me agredir, me matar com o olhar.

Então ele falou que eu podia ir embora.
Desliguei as coisas muito rápido. E fui em direção à porta.
Fiquei com medo porque tinha que descer uma escada, e temi que ele me jogasse dela. Mas ele não fez nada.

Desci as escadas tremendo, chorando, com medo. Nunca me senti tão apavorada na vida.
Fui embora e liguei para uma amiga, aos prantos.

O medo permaneceu.
Ficava assustada o tempo todo. Saía na rua me sentindo perseguida.
Acordava toda madrugada com o som do despertador do celular dele. Aquele bipe irritante tocava no meio da madrugada, no meu quarto, dentro da minha cabeça.
Engordei muito. Ficava deitada no sofá sem motivação nenhuma.
Tenho só alguns flashes dessa parte. Não me lembro como contei pra minha família - se é que contei...

Hoje eu entendo que a limitação que impediu que ele me matasse (eu sabia que isso ia acontecer, essa certeza de que ele queria me matar ninguém tira da minha cabeça) foi divina. Não pude ver, mas sabia que algo muito maior estava ali, entre ele e eu.
Eu choro só de lembrar desse momento, e de saber que Deus se importou e cuidou de mim naquele momento.

Deus me livrou da morte.
Quantas pessoas se arriscam todos os dias, saindo com desconhecidos, dormindo com estranhos, colocando essas pessoas dentro das suas casas, fazendo parte de suas vidas.
Quantas não são as vezes que Deus manda seus anjos para nos guardar? Para te guardar?
Daí a importância de você se guardar, esperar em Deus, poder conhecer a pessoa, serem amigos ... e assim ser livrada do engano.

Eu sou a preciosa Dele, você é a preciosidade de Deus.  E mesmo no meio da sua loucura, dos seus erros, Ele estende a mão pra te salvar, porque Ele te ama.
Ele me ama.
Obrigada por esse amor Jesus, que é tão imerecido.
Obrigada pelo Teu cuidado.